Vodafone Paredes de Coura 2016… “Começar a Sonhar”
“Começa a sonhar” era a frase que recebia os festivaleiros da 24ª edição do Festival Vodafone Paredes de Coura. O regresso a Paredes de Coura é sempre um regresso a “casa” para muitos, de volta ao Habitat natural da Musica....
O primeiro dia, definido como um warm-up do festival, começa cada vez mais a ser um dia igual aos outros do festival, apenas com a diferença de apenas 1 dos palcos fazer parte da programação.
Um primeiro dia com 3 nomes nacionais, prova evidente da boa forma da música nacional junto de um público exigente e acima de tudo, ansioso por “começar a sonhar”, tal como o slogan na entrada do recinto transmitia.
Pouco passava das 19 horas quando as grades se abriram para deixar entrar todos aqueles que chegavam, algo tímidos, ao anfiteatro natural da música. À hora do lusco fusco, a melhor hora para o amor, a orquestra e o Coro Coura All Stars juntamente com os We Trust abriram o primeiro dia de festival. Este trabalho preparado pelos We Trust sob a coordenação de André tentúgal, mentor do projeto, começou a ser trabalhado em Abril, resultando num concerto único que juntou o melhor de dois mundos musicais, a pop dos We Trust e o Clássico dos alunos da Academia Musical de Coura, numa bela colaboração envolvendo um conjunto de jovens músicos locais. Uma oportunidade única de subir ao palco do Festival.
Os We Trust prepararam um conjunto de temas marcantes da sua carreira musical tendo em “The Future”, tema originalmente gravado com um coro de crianças, nesta versão ao vivo contou com centenas de jovens, de Paredes de Coura, a cantar em grande forma o tema do mais recente trabalho dos We Trust.
Uma abertura em grande da edição deste ano do festival mas com sabor amargo, André Tentugal aproveita a sua presença em palco para anunciar que os We Trust vão fazer uma pausa por tempo indeterminado para tristeza dos seus fãs.
E seria em Português que a primeira noite do Festival iria continuar. A sensualidade da voz de Catarina Salinas acompanhada por Ed Rocha Gonçalves que se complementam e interpretam os temas dos Best Youth. Por mais que os ouça cantar nunca nos cansamos… sem dúvida, o som melodioso e arrepiante envolve o público presente. A banda passou em revista os temas do seu álbum de estreia de 2015 “Highway Moon”, sem esquecer a sua versão muito própria do clássico dos INXS “Never Tear Us Apart”, imprimindo um traço único na sua pop aveludada que encontrou na margens do Coura o ambiente perfeito para esta primeira noite de festival. Pelo meio “In the Shade”, tema escrito por Moullinex para a banda e que Ed e Catarina fizeram questão de dedicar ao seu autor que “deve andar por aí…”. Sem dúvida a cumplicidade da banda em temas como “Black Eyes”, “Red Diamond”, “Mirrorball” e do já clássico “Hang Out” são o exemplo do trabalho de filigrana na composição das canções dos Best Youth.
Os Minor victories eram a banda que se seguia no alinhamento da primeira noite. A super banda inglesa, formada em 2015 por Rachel Goswell (Slowdive), Stuart Braithwaite (Mogwai), Justin Lockey (Editors) e James Lockey, trouxe a Paredes de Coura o seu som rock alternativo. O disco de estreia da banda, lançado este ano de 2016, serviu de suporte ao concerto bem ao estilo do Slowdive, a banda de Rachel. Temas com “A Hundred Ropes”, “Scattered Ashes” ou até “Folk Arp” onde a voz envolvente de Rachel ressalva por entre uma sonoridade post-rock, soaram na perfeição ao longo dos 60 minutos de concerto. “Breaking my light”, um dos temas mais maduros da banda em contraste com a voz cândida de Rachel, apresentou uma sonoridade ímpar dos restantes elementos da banda, e que elementos. Não sendo os Slowdive em palco, ficamos com a sensação que a banda estava ali à semelhança de 2015, mesmo quando as sonoridades mais agressivas de “Cogs” levantaram o véu ao rock e ao psicadelismo em palco.
Apontados como os cabeças de cartaz da primeira noite, os Unknown mortal Orchestra traziam na bagagem o seu mais recente disco “Multi-love” editado em 2015. A banda liderada por Ruban Nielson recuperou igualmente os classicos da banda como “So Good At Being In Trouble” do segundo album. E seria “From the Sun” do 2º álbum da banda a abrir o concerto da noite. Serenos e sem pressas, a banda desfilou as suas canções ao ritmo de Nielson, numa suavidade única e impar, muito carateristica dos Unknown Mortal Orchestra, onde cada detalhe de cada canção é apresentado de uma forma elaborada e precisa. Seriam “Stage Or Screen”, “Multi-love” e o mais badalado “Can't Keep Checking My Phone” a encerrar o concerto, os temas mais marcantes do 3º disco da banda e apresentados em Paredes de Coura.
Com o ambiente composto para a primeira noite, e já de madrugada, os Orelha Negra sem “Sombras” tomaram conta do palco nas margens do Rio Coura. Com um novo albúm na forja, a superbanda nacional constituída por Sam The Kid (Samuel Mira), Francisco Rebelo, Fred Campos Ferreira, João Gomes e DJ Cruzfader, sabe como ninguém apresentar a sua música de uma forma envolvente e trabalhada. Demonstrando um sintonia única, revelam uma strength poderosa que junta uma miscelânea fantastica de groove, breaks, samples e loops com a autoridade de quem não aprendeu aqui e agora. Absolutamente contagiante. O seu som tornou-se ainda mais viciante em Paredes de Coura, onde se revelou um ambiente de troca absoluta com o público. Entre os novos “A Sombra” e “Parte de Mim”, os já envolventes “Throwback” e “M.I.R.I.A.M.” confirmaram sem dúvida que o ano de 2016 é o ano dos Orelha Negra.
A encerrar com chave a primeira noite do Festival com uma afluência nunca vista nestes últimos anos para a primeira noite e já com algum “crowd-surf”…
Texto de Sandra Pinho e fotografias de Paulo Homem de Melo















