Se há vidas excepcionais que merecem ser contadas, esta é uma delas.
Passam em 2016, 740 anos da aclamação de Pedro Hispano ao lugar mais alto da Igreja Católica.
Quem era afinal este homem, que ficou conhecido como João XXI?
O historiador Armando Norte percorre a vida de João XXI nas suas três principais facetas: o homem, o intelectual e o pontífice. O seu nome de baptismo, Pedro Julião, convida-nos a olhar para as suas raízes, remetendo para os anos iniciais da sua vida e para o percurso que construiu, desde muito cedo, no interior da Igreja.
Já a designação de Pedro Hispano, pela qual ficou conhecido nos meios intelectuais, liga-o de imediato ao cientista, ao académico e à autoridade incontestada que também foi. E, por fim, o seu nome apostólico, João XXI, evoca o seu pontificado e a curta carreira que protagonizou na Cúria Romana enquanto papa.
Uma vida que foi uma trajectória longa e improvável, quando se olha para um indivíduo originário de um reino ultraperiférico – sendo Portugal a periferia de uma periferia, chamada Península Ibérica – que parecia condenado à obscuridade, mas que se tornou papa. Uma obra essencial para resgatar do esquecimento a vida e a obra desta figura ímpar da História de Portugal.
O Festival de Flamenco de Lisboa está de volta ao coração da capital para apresentar no Teatro da Trindade três espetáculos distintos. Com nove anos de existência, o evento continua a surpreender e provavelmente será esta a sua edição mais audaz, na qual se procura exultar o lado mais luminoso e misterioso da guitarra, do baile e do cante flamenco.
Cabe ao quarteto de Javier Conde as honras de abertura do festival, no dia 26 de Outubro. Conhecido como “miúdo revelação” da guitarra flamenca, é reconhecido pelo seu respeito pelos mestres e pelo seu próprio “compás” flamenco e adivinha-se que venha a ser um dos grandes pilares da guitarra e do flamenco da Extremadura no mundo. No espectáculo que apresenta em Lisboa “El flamenco y su vibrante mundo” serão interpretados alguns dos estilos mais representativos do flamenco.
Um concerto que está inserido na Experimenta Extremadura, um projecto bianual, que pretende despertar o interesse e conhecimento da Extremadura em Portugal, com a realização de diversas iniciativas à qual o Festival Flamenco de Lisboa se associou.
Intrigante e certamente original, será o espetáculo que a Columna Flamenca, uma companhia de Flamenco criada em Lisboa em 2016 pela Associação Flamenco Atlântico, irá estrear. A companhia conta com artistas de várias nacionalidades: portugueses, espanhois e marroquinos. No dia 26 de Novembro, estreiam a sua primeira criação, CORPO SONORO, um tríptico intimista de baile flamenco, inspirado no texto “Rayuela” do escritor Júlio Cortazar, nos poemas de Federico Garcia Lorca e no álbum “Street Hassle” de Lou Reed, gravado em 1978.
O Festival Flamenco de Lisboa, termina no dia 27 de Novembro, com mais uma estreia em Portugal, desta vez: Manuel Fernández Montoya, “El Carpeta”, da dinastia “Los Farruco” e irmão mais novo de Farruquito. O Flamenco corre-lhe no sangue e na raça mas conseguiu criar o seu espaço com a alma aberta e a sua forma de bailar o Flamenco. Uma noite onde se apresentará o presente e o futuro do novo baile flamenco.
Simultaneamente, estão agendadas duas actividades paralelas que permitem vivenciar a Arte Flamenca e que se realizam no Espaço Flamenco Atlântico, às 18h00: aulas de Guitarra, no dia 26 de outubro e aulas de Baile, no dia 26 de novembro. O Festival é organizado pela Flamenco Atlântico, associação cultural sem fins lucrativos.