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Glam Magazine

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“Eyeglasses for the Masses”… o regresso de The Weatherman (Review)

Foram precisos 10 anos de espera para ouvir “Eyeglasses for the Masses”, o mais recente disco do projeto pessoal de Alexandre Monteiro, The Weatherman. 10 anos para escutar “a obra prima” da carreira do músico que ao longo dos anos sempre delineou uma linha de continuidade nos seus trabalhos.

IMG_7778.jpgE de repente somos transportados para o final de década de 60. “Eyeglasses for the Masses” é uma maquina de tempo de puro pop britânico, bebendo inspiração em bandas tão distintas como os The Beatles, encurtando caminho num piano de Elton John e terminado a viagem em finais dos anos 90 no brit pop mais agressivo dos Oasis.

 

Uma viagem ao longo de 3 décadas, transpondo barreiras e construindo uma colecção de canções desprendidas mas com conteúdo. Distante do pop tradicional, “Eyeglasses for the Masses” representa uma enorme chamada de atenção a todos, seguindo o exemplo de “One of these days”, uma das canções mais densas do disco, mas ao mesmo tempo das mais sinceras, traz ao de cima a capacidade que temos em nos aliarmos do mundo.

IMG_7780.jpgAt the in beetween” é a canção que abre o disco, uma sonoridade leve e solta que deixa-nos com vontade de escutar o disco até ao fim, vezes e vezes sem conta, canção onde a influencia brit pop se mistura com um folk suave.

A kind of a bliss” é talvez a canção que se desvia das metas definidas na sonoridade deste trabalho, ao sermos guiados por uma inglaterra industrial no final da década de 90.

Eyeglasses for the Masses”, tema que dá titulo ao álbum e “Endless expectations” podem ser definidos como os momentos épicos do disco. A máquina do tempo levita os nossos sentidos até 1966 logo no inicio dos primeiros acordes de “Eyeglasses for the Masses”, culminado no psicadelismo envolvente dos refrões de “Endless expectations”.

A libertação hippie em “Unpack my mind” eleva o grau de exigência a um patamar difícil de ultrapassar por Alexandre Monteiro. Um som pop agressivo e acertivo acompanhado com um coro de violinos a cargo de Misha Arutyunyan.

Se “Ice II” era o cartão de apresentação do disco, acaba por ser a escolha perfeita, em que apenas se mostrou uma pequena parte daquilo que esta “escondido” no album. O dedilhar do piano, os falsetes do Alexandre, tudo resultou no single lançado no final do verão de 2015.

Ao longo desta viagem, “Good dreaming” transporta os nossos “óculos” até à década de 70 através de um sonho, um sonho bom como é nos dado a dissertar, mas será mesmo um sonho?

IMG_7779.jpgCalling all monkeys” encerra a viagem de 11 canções. Um tema leve, solto e desprendido de uma lógica racional a apelar que se chamem todos os “macacos da terra”.

 

Eyeglasses for the Masses” é o resultado de um trabalho construido ao longo dos anos, de canções realistas, apelativas e acima de tudo sensoriais como as sonoridades que lhes são inerentes ao longo do disco.
”Eyeglasses For The Masses” é uma edição de autor com lançamento previsto para 29 de Abril

 

Paulo Homem de Melo /Abril 2016