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Glam Magazine

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Topografias Imaginárias… cinema ao ar livre e visionamentos – Programação

O ciclo de visionamento comentado Topografias Imaginárias - organizado pelo Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca e, nesta quarta edição, integrado no Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017 e com sessões de cinema ao ar livre - realiza-se nos primeiros dois fins-de-semana de setembro (dias 1, 2, 3, 8, 9 e 10), num percurso de seis paragens em locais menos óbvios da cidade de Lisboa, onde serão exibidos onze filmes, com entrada livre e transporte gratuito.

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1 de Setembro 2017

“O Descobrimento do Brasil”, de Humberto Mauro, Brasil, 1937

“O Caso J.”, de José Filipe Costa, Portugal/Brasil, 2017

 

18h00 Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca (Alcântara) (Largo do Calvário, 2)

Visionamento comentado de O Descobrimento do Brasil por:

José Filipe Costa (cineasta), Eduardo Victorio Morettin (historiador do cinema brasileiro, professor, investiga as relações entre História e Cinema) e Tiago Baptista (historiador do cinema e diretor do ANIM - Arquivo Nacional de Imagem e Movimento)

 

21h30 Quinta do Alto (Alvalade)

Projeção de cinema ao ar livre O Descobrimento do Brasil + O Caso J.  

 

Encaramos desde logo e de frente uma das questões fundamentais deste programa: a relação entre centro e periferia e entre o “nós” e os “outros” na base da ideia de “capital ibero-americana” (relações que todo o programa desta Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura procura questionar). Seguimos a visão de um brasileiro sobre os portugueses que lhe “descobriram” o país e a visão de um português sobre um caso do Brasil contemporâneo. A uni-los está uma certa conceção do cinema como teatro documental e da cena cinematográfica como lente de aumentar.

 

2 de Setembro 2017

“Milagre na Terra Morena”, de Santiago Álvarez, Cuba/Portugal,1975

“Outro País”, de Sérgio Tréfaut, Portugal, 1999

 

18h30 Salão de Festas do Vale Fundão (Marvila) (Azinhaga Vale Fundão, 25)

Visionamento comentado por:

Olivier Hadouchi (programador e investigador, tem trabalhado sobre o “terceiro cinema”), Maria do Carmo Piçarra (jornalista, professora, tem investigado o cinema de propaganda produzido durante o Estado Novo) e Fernando Rosas (historiador)

 

21h30 Bairro Vale Fundão (Marvila) (Rua João Graça Barreto)

Projeção de cinema ao ar livre de Milagre na Terra Morena + Outro País

 

O filme de Sérgio Tréfaut segue as viagens que cineastas e fotógrafos fizeram a Portugal durante o 25 de Abril de 1974. Por entre essas viagens está a de Santiago Alvarez, cujo filme, realizado em Lisboa por essa altura, abre a sessão. A projeção é feita num bairro construído e habitado por emigrantes que viajaram para o Sul vindos do Norte de Portugal. No centro da sessão está então a viagem, aquela que a liberdade provocou e permitiu, e estão também as afinidades que os povos da América do Sul sentiram com Portugal nesse momento de ruptura.

 

3 de Setembro 2017

“Zéfiro”, de José Álvaro de Morais, Portugal, 1994

 

18h30 Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca (Alcântara) (Largo do Calvário, 2)

Visionamento comentado por:

Anabela Moutinho (professora, programadora de cinema) Raquel Henriques da Silva (historiadora) e António Preto (professor, programador de cinema, ensaísta)

 

21h30 Miradouro de Santo Amaro (Alcântara) (Calçada de Santo Amaro)

Projeção de cinema ao ar livre de Zéfiro

 

Filme fundamental para a história do cinema português, Zéfiro é também um filme incontornável para a história de Lisboa e introduz neste programa uma outra maneira pela qual esta é uma cidade do Sul. Essa frase, título deste ciclo, é dita pelo narrador e resume o retrato que José Álvaro de Morais constrói: organizando uma viagem por Lisboa que é tanto temporal como espacial, o cineasta conta uma história da cidade, dos seus espaços e arquitetura, mas também dos povos que a habitaram ao longo dos tempos. A este nível, Lisboa aparece como resultado de uma inversão do mecanismo da aculturação: ela resulta, não de uma cristianização do islamismo, como habitualmente se pensa, mas sim de uma islamização do cristianismo, religião que permanece, hoje, na base da sua cultura. No adro da Capela de Santo Amaro, o filme levar-nos-á a olhar para os contornos da cidade que daí se vêem de uma maneira totalmente nova.

 

8 de Setembro 2017

“La Illusión viaja em tranvia”, de Luís Buñuel, México, 1953 (na foto)

 

18h30 Museu da Carris (Alcântara) (Rua Primeiro de Maio 101)

Visionamento comentado por:

Luísa Veloso (investigadora, coordena o projeto “o trabalho no ecrã”), Ana Alcântara (historiadora, trabalha sobre Lisboa, o operariado e os transportes) e António Roma Torres (psiquiatra, crítico de cinema)

 

21h30 Museu da Carris (Alcântara) (Rua Primeiro de Maio 101)

Projeção de cinema ao ar livre de La Illusión viaja em tranvia

 

Clássico do cinema mexicano, o filme segue a evasão de um grupo de trabalhadores da companhia de elétricos da Cidade do México. A sua viagem dura uma noite, desde que roubam um elétrico até que o devolvem, na manhã seguinte. Ao longo dessa noite, entram e saem do elétrico roubado personagens do quotidiano mais escondido da cidade. Numa sessão que decorrerá junto às oficinas da Carris, a magia da projeção transformará a Cidade do México em Lisboa (ou vice-versa).

 

9 de Setembro 2017

“Los barcos”, de Dominga Sotomayor, Chile/Portugal, 2016

“Fuera de cuadro”, de Márcio Laranjeira, Portugal/Argentina, 2010

“Mauro em Caiena”, de Leonardo Mouramateus, Brasil, 2012

“Où esta la jungle?”, de Iván Castiñeiras Gallego, França/Portugal/Brasil, 2015

 

17h30 Teatro de Carnide (Azinhaga das Freiras)

Visionamento comentado pelos realizadores e Álvaro Domingues (geógrafo, professor, o seu trabalho centra-se na Geografia Humana) e Teresa Castro (professora, tem investigado as relações entre cartografia e cinema).

 

21h00 Azinhaga do Serrado (Carnide)

Projeção de cinema ao ar livre de Los barcos, Fuera de cuadro, Mauro em Caiena e Où esta la jungle

 

No centro da sessão está o encontro entre questões de território e representação. Em Los barcos, a visão de uma turista (atriz argentina que vem a Lisboa apresentar um filme, num festival de cinema) sobre Lisboa, à procura do cliché em espaços imprevistos e periféricos. Em Fuera de cuadro, a relação entre mãe e filho é descrita através dos quadros que ela pinta e dos quais ele está fora, naquilo que acaba por ser um exercício que confunde o fora do quadro com o fora de campo cinematográfico. Mauro em Caiena segue a transformação do espaço pelos olhos e jogos de uma criança e Où est la jungle?, filme-deriva, age pela força da deslocação, problematizando o lugar contemporâneo dos índios amazónicos. Em todos eles o olhar (incluindo o cinematográfico) é operador de transformação.

 

10 de Setembro 2017

“Eldorado_XXI”, de Salomé Lamas, Portugal/França/Perú, 2016

 

18h00 Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca (Alcântara) (Largo do Calvário, 2)

Visionamento comentado por: Salomé Lamas (cineasta), João Mário Grilo (cineasta, professor de cinema) e André Cepeda (fotógrafo)

 

21h30 Parque Tejo - Pista de Skaters (Parque das Nações) (Passeio do Tejo)

Projeção de cinema ao ar livre de Eldorado_XXI

 

Apesar de acompanhar a comunidade que vive na mais alta localidade do mundo, em La Rinconada y Cerro Lunar, nos Andes peruanos, Eldorado_XXI é um filme subterrâneo. É uma espécie de ensaio sobre o mais profundamente escondido e esquecido do mundo contemporâneo e que, contudo, sustém aquilo que decorre na superfície – é por isso mesmo o último filme deste programa, resume bem os movimentos deste Sul que temos vindo a explorar. Homens e mulheres que procuram ouro nas encostas descrevem aquela como uma “terra de ninguém” – impossível não ver este em continuidade com o filme anterior de Salomé Lamas, precisamente com esse título. As suas vozes descrevem o medo e a iminência da morte, morte e medo que vão ganhando forma e imagem, e vão assim afirmando-se numa presença simultaneamente terrível e fantástica que se vai instalando sobre todo o filme para no fim aparecer violentamente trancada naquela montanha, e não ser mais do que um sopro lançado por uma abertura escura na encosta nevada.