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Glam Magazine

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You Can’t Win, Charlie Brown musicam filme em espetáculo único este sábado

Portugueses You Can't Win, Charlie Brown musicam filme ao vivo, depois de uma primeira vez no Curtas Vila do Conde - International Film Festival. O jornal Público refere que este filme-concerto é "um caso de equilíbrio perfeito e inteligente entre música e imagem". Realizado por Alfred Machin, nas vésperas da I Guerra Mundial, Maudite Soit la Guerre conta a história de dois amigos em lados opostos do conflito.

YCWCB_01_ credVeraMarmelo.jpgEm 1914, sob a direção de Alfred Machin, foi produzido o filme Maudite Soit la Guerre, uma criação belga que refletia sobre os horrores da guerra, projetando no futuro muitas das tragédias que a história viria depois a confirmar. Para lá da mensagem distintiva do filme, existe o próprio objeto artístico, ambicioso para a época: filme colorido à mão e por isso com uma dimensão plástica invulgar que lhe confere uma estranha beleza pictórica. É esse o filme que os portugueses You Can’t Win, Charlie Brown irão “ilustrar” musicalmente num filme concerto de recorte muito especial. A relação entre o som e as imagens é antiga e no caso do cinema poderá dizer-se mesmo primordial. Antes das palavras – das falas e dos diálogos -, já a música servia o propósito de sublinhar as histórias que se soltavam do grande ecrã. A música para cinema tornou-se entretanto uma entidade própria, gerando escolas e uma linguagem muito particular que muito tem influenciado as esferas mais aventureiras da pop. E os autores de “Chromatic” (2011) ou “Diffraction / Refraction” (2014) não são imunes a esse longo diálogo. Aliás, ambos os títulos das suas coleções de canções remetem para uma óbvia dimensão visual, pelo que este projeto de traduzir musicalmente um filme clássico como Maudite Soit la Guerre é absolutamente justificado.

Os You Can’t Win, Charlie Brown nasceram em Lisboa em 2009 e contam no seu seio com seis músicos: Luís Costa, Salvador Menezes, Afonso Cabral, David Santos, Tomás Sousa e João Gil. Pela sua música cruzam-se ecos de folk, estratégias da eletrónica, inspirações kraut e outras derivas que ao longo das décadas foram informando os rumos mais interessantes da pop. São um grupo inteligente, que conquista espaço não apenas em listas de Melhores do Ano, mas nas memórias de quem valoriza a música e se sente por ela desafiado. São o casting certo para este filme e prometem uma viagem que embrulhará sentidos e imaginação num novelo de novas e fortes emoções. Sem pipocas.

(Rui Miguel Abreu)

 

GNration (Braga)

14 de Novembro 2015 | 22.30h

 

Fotografia: Vera Marmelo